A morte de um adolescente de 12 anos, atacado por um cachorro da raça pitbull no último sábado (14), após pular o muro de um abrigo da Prefeitura, deverá ser apurada pela Secretaria Municipal de Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Setra). O prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio solicitou à Pasta e demais órgãos do Município a abertura de investigação sobre a morte do jovem.
O garoto residia em um abrigo da Prefeitura na Rua São Paulo. Ele foi atacado por um pitbull em um terreno vizinho ao abrigo, quando pulou o muro do imóvel para pegar uma bola.
"Fiquei sabendo pelos jornais. Nosso papel é saber o que houve. Se tiver tido algum responsável diretamente ligado ao poder público, iremos exigir essa responsabilidade. Tenho só a lamentar. Uma tragédia muito grande. Pedi a investigação para apurar os fatos. É a perda de uma vida", concluiu o gestor.
O menino, que teve sua identidade preservada, estava há apenas cinco dias no Acolhimento Institucional I, no Centro da Capital. O cão estava em um terreno que fica nos fundos da instituição, com entrada na Rua Senador Alencar. O jovem jogava bola dentro das instalações da instituição quando o brinquedo caiu no terreno vizinho. Ao pular o muro do local e entrar na casa do cão, o menino foi atacado pelo animal com mordidas na região da veia femoral e do pescoço.
A Polícia Militar foi acionada e, após cerca de 20 minutos de luta entre o animal e o jovem, o cachorro foi baleado e morto pelos PMs, segundo relatos, ainda sob protesto de populares.
O menino foi levado pelos policiais ainda com vida ao Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro, mas não sobreviveu aos múltiplos ferimentos.
No local, que aparentemente serviria como uma espécie de canil particular, havia além do pitbull um outro cachorro. Os animais estavam dentro de 'casas' individuais. A bola caiu dentro da construção em que estava o cão que acabou sendo morto.
Segundo os policiais que atenderam a ocorrência, foi necessário efetuar três tiros para matar o cachorro pitbull.
A reportagem esteve no local minutos após o ocorrido. A percepção, em um primeiro momento, era que os animais não estariam sendo alimentados. Não foi vista comida nem água para os cachorros, pelo menos, nas vasilhas que estavam mais próximas dos portões das 'casas'.
O acesso ao imóvel que abrigava os cães era dificultado por um muro de aproximadamente quatro metros, que divide os dois prédios. Quando da presença da equipe de reportagem no imóvel, nenhum proprietário ou responsável pelo terreno ou pelos animais estava no local. Ninguém ainda se manifestou acerca da responsabilização pelo espaço.
Apurações
Em nota, a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setra) informou que "instaurou procedimento para apurar as causas do acidente e o motivo pelo qual o adolescente de 12 anos conseguiu pular o muro do abrigo, saindo das dependências da unidade e sofrendo o ataque do cão". O órgão da Prefeitura também disse que "está adotando todas as providências cabíveis que o caso requer".
Ainda na tarde de sábado, funcionários do abrigo prestaram depoimento no 34º DP (Centro).
