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Brasília. A Polícia Federal encontrou em uma ação de busca da Operação Lava-Jato planilhas de pagamentos da Odebrecht para cerca de 316 políticos de 24 partidos. De acordo com as tabelas, os repasses foram feitos pela empreiteira para as campanhas municipais de 2012 e para as eleições de 2010 e de 2014.
Nome de Cid Gomes aparece em lista
Na relação, surgem nomes de ministros do governo, senadores e deputados, todos com foro no Supremo Tribunal Federal (STF). Não é possível, porém, saber se os pagamentos são doações eleitorais ou propinas. Mesmo que não estejam na prestação de contas registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral, é possível que sejam as chamadas “doações ocultas”, ou seja, repasses feitos aos partidos de forma legal, que depois se destinam aos candidatos que concorreram.
Os documentos foram apreendidos nas buscas em um endereço do executivo da empreiteira Benedicto Barbosa Júnior, o BJ, durante a 23ª fase da Lava-Jato, em fevereiro, que tinha como alvo o marqueteiro João Santana.
Entre os nomes mencionados na lista, estão políticos tanto da base aliada ao governo federal quanto de oposição. Foram citados os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (PSDB-MG), os ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Jaques Wagner (Chefia de Gabinete) e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), que morreu em agosto de 2014.
Também são citados como destinatários de doações da empreiteira o senador José Serra (PSDB-SP), o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, os governadores tucanos Beto Richa (Paraná) e Geraldo Alckmin (São Paulo) e o ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT).
Os investigadores apuram se os repasses se tratam de uma contabilidade paralela da empresa, que foi alvo da 26ª fase da Lava-Jato, deflagrada na terça.
As planilhas apontam também pagamentos a candidatos indicados por líderes políticos. Em arquivos da eleição de 2012, por exemplo, há itens como “indicações dep. Edinho Silva”, em referência ao ministro da Comunicação Social, do PT, e “vereadores PSDB-SP”. Também projeta pagamentos para grupos de “parceiros históricos”, relação que inclui o ex-presidente José Sarney e o senador Romero Jucá (PMDB-PE). As listas detalham quanto cada empresa do grupo doaria para os políticos.
Sigilo
O juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Lava-Jato, decretou o sigilo dos autos que contêm as planilhas. Ele intimou o Ministério Público Federal que se manifeste “com urgência” sobre o envio do documento ao STF. “Para continuidade da apuração em relação às autoridades com foro privilegiado”, disse.
Renan Calheiros negou ter recebido doações ilegais da Odebrecht. O senador disse desconhecer o apelido pelo qual é chamado nos documentos, “Atleta”.
Chamado de “Caranguejo”, Eduardo Cunha disse desconhecer a origem do apelido e negou que tenha recebido propina da empresa. “Certamente para minha campanha não foi, se eu pedi foi para o PMDB, e foi alocada para outras campanhas”.
Aécio Neves afirmou não haver nenhum dado novo que vá de encontro ao que já está publicizado em sua prestação de contas e do PSDB. “O que eu vi hoje confirma aquilo que está nas prestações de contas do PSDB”.
Em nota, procuradores negaram haver negociação para delação premiada de Marcelo Odebrecht ou de executivos da empreiteira alvo da Operação.
Confira as listas na íntegra:
Odebrecht 1
Odebrecht 2
Odebrecht 3
Odebrecht 4
Odebrecht 5
Odebrecht 6
Odebrecht 7
DN
